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Notas do diretor

Uma história real de fé, família e amor


Cristóbal Krusen

Roteirista / Diretor / Ator


Como perdi o meu filho Daniel para a esquizofrenia

Dizem que não há nada mais difícil do que perder um filho. Sei do que falam. Perdi o meu filho Daniel para a esquizofrenia quando ele tinha dezasseis anos. O diagnóstico completo que acabou por chegar foi perturbação esquizoafetiva do tipo bipolar: uma condição de saúde mental caracterizada por períodos de psicose grave acompanhados de episódios maníacos ou depressivos. Quando o Daniel fez dezoito anos, foi internado involuntariamente no hospital psiquiátrico estatal de Williamsburg, na Virgínia. Os médicos não conseguiam perceber por que razão o seu estado não melhorava; tentaram a terapia electroconvulsiva e uma série de medicamentos, mas nada parecia resultar. Lembro-me de o chefe de psiquiatria me dizer um dia, durante uma visita, que o Daniel provavelmente ficaria no hospital o resto da vida…

O que se faz com uma notícia destas? Como se juntam os cacos? Poderá uma devastação assim ser alguma vez superada? Eu acredito que sim. Talvez tenha sido teimosia da minha parte, ou talvez uma fé teimosa, mas se há uma coisa em que posso olhar para trás e dizer "nisto acertei", seria ter-me recusado a render à desesperança. Sim, houve noites que passei a chorar, mas de manhã punha-me outra vez de pé. Havia trabalho a fazer. Havia um filho para amar.

Havia trabalho a fazer. Havia um filho para amar.


Por que escrevi Let Me Have My Son: uma história de saúde mental entre pai e filho

Quando comecei a escrever o argumento de Let Me Have My Son, tinha um objetivo acima de todos os outros: queria dar voz ao meu filho, apresentá-lo a um mundo do qual tinha sido prematuramente exilado por causa de uma doença mental grave. E então, durante o processo de fazer o filme, aconteceu algo notável… algo com que não contava. Ao retratar as lutas do Daniel e ao dar-lhe a dignidade que sentia que merecia, descobri que não estava apenas a contar a história dele, mas também a minha, e a de milhões de outros pais e cuidadores que, como eu, fazem o que podem para lidar com a doença mental grave nas suas famílias. Não fazia ideia de como pode ser comum sentirmo-nos sozinhos nessas lutas e carregar ao longo do dia um luto entorpecido e sem palavras que parece ter virado o mundo do avesso. Não desista!

Let Me Have My Son não é um documentário. Também não é uma tentativa de promover o mais recente avanço científico ou uma cura milagrosa para o flagelo da doença mental. É outra coisa: uma longa-metragem dramática feita para as famílias que sabem o que é amar alguém atingido pela esquizofrenia. Mais do que tudo, é uma expressão sentida do anseio que todos partilhamos, enquanto seres humanos, de dar algum sentido à nossa maior dor — e de nos recusarmos a desistir de quem amamos.

Cristobal Krusen

A cada pai, mãe, irmão, cônjuge ou amigo que convive com a doença mental na família: este filme é para si. Não está sozinho. A esperança não desilude, e o amor nunca falha.

Cristobal Krusen

Argumentista / Realizador / Ator

Perguntas frequentes